A enigmática resposta da donzela comunica que ela pertence ao mundo dos vivos mas que está acompanhando o ritmo da vida-morte-vida, e que, por esse motivo, ela é um ser humano em queda assim como uma sombra do seu self anterior. Ela pode viver dias no mundo da superfície, mas a transformação ocorre no mundo subterrâneo, e ela consegue estar nos dois, como La Que Sabé. Tudo isso ocorre para que ela aprenda o caminho, para que ela limpe seu caminho, até o verdadeiro self selvagem.

Como se pode viver no mundo da superfície e no mundo subterrâneo ao mesmo tempo e na vida do dia-adia? O que precisamos fazer para descer até o mundo subterrâneo sozinhas? Quais circunstâncias na vida ajudam as mulheres nessa descida? Podemos optar quanto a partir ou ficar? Que ajuda espontânea você já recebeu da natureza instintiva numa hora dessas?Quando as mulheres (ou os homens) se encontram nesse estado de dupla cidadania, elas às vezes cometem o erro de pensar que afastar-se do mundo, abandonar a vida de rotina, com suas tarefas, seus deveres que não só atraem mas irritam infinitamente, é uma brilhante idéia. No entanto, esse não é o melhor caminho, pois o mundo objetivo nessas ocasiões é a única corda que resta presa ao tornozelo da mulher que está suspensa, perambulando, trabalhando de cabeça para baixo no mundo subterrâneo. Trata-se de uma hora de importância crucial, quando o mundo objetivo precisa desempenhar seu papel adequado, exercendo uma tensão e um equilíbrio "de outro mundo" que ajuda a conduzir o processo a bom termo.

Comentários

  1. E assim prosseguimos perambulando no nosso caminho perguntando-nos —
    se a verdade fosse dita, realmente resmungando com nossos botões — "Será que eu
    sou deste mundo ou do outro?" e respondendo "Sou dos dois." Nós nos lembramos
    disso à medida que prosseguimos. A mulher num processo desses precisa ser dos dois
    mundos. É esse tipo de movimento sem rumo que ajuda a eliminar o último resquício
    de resistência, a última possibilidade de hubris, a arrasar a última objeção que
    pudéssemos imaginar, porque andar desse jeito é cansativo. No entanto, esse tipo
    específico de fadiga faz com que finalmente abandonemos as ambições e os receios do
    ego para simplesmente acompanhar o que vier. Em conseqüência dessa atitude,
    nossa compreensão do nosso tempo nas florestas subterrâneas será profunda e
    completa.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

"A donzela sem mãos" é uma história da vida real a respeito de nós, mulheres de verdade. Ela não trata de uma parte das nossas vidas, mas da nossa existência inteira.

O sétimo estágio — O noivo e a noiva selvagens

O que vemos são duas mulheres que, durante o prazo de sete anos, vêm a se conhecer mutuamente. O espírito de branco é semelhante à telepática Baba Yaga em "Vasalisa", que é uma representação da velha Mãe Selvagem. Como a Yaga diz a Vasalisa, muito embora nunca a tenha visto antes, "Sei, conheço o seu pessoal", esse espírito feminino que toma conta da estalagem no outro mundo já conhece a jovem rainha, pois ela também faz parte da sagrada Mulher Selvagem, que tudo sabe.