A enigmática resposta da donzela comunica que ela pertence ao mundo dos vivos mas que está acompanhando o ritmo da vida-morte-vida, e que, por esse motivo, ela é um ser humano em queda assim como uma sombra do seu self anterior. Ela pode viver dias no mundo da superfície, mas a transformação ocorre no mundo subterrâneo, e ela consegue estar nos dois, como La Que Sabé. Tudo isso ocorre para que ela aprenda o caminho, para que ela limpe seu caminho, até o verdadeiro self selvagem.
Como se pode viver no
mundo da superfície e no mundo subterrâneo ao mesmo tempo e na vida do dia-adia? O que precisamos fazer para descer até o mundo subterrâneo sozinhas? Quais
circunstâncias na vida ajudam as mulheres nessa descida? Podemos optar quanto a
partir ou ficar? Que ajuda espontânea você já recebeu da natureza instintiva numa
hora dessas?Quando as mulheres (ou os homens) se encontram nesse estado de dupla
cidadania, elas às vezes cometem o erro de pensar que afastar-se do mundo,
abandonar a vida de rotina, com suas tarefas, seus deveres que não só atraem mas
irritam infinitamente, é uma brilhante idéia. No entanto, esse não é o melhor
caminho, pois o mundo objetivo nessas ocasiões é a única corda que resta presa ao
tornozelo da mulher que está suspensa, perambulando, trabalhando de cabeça para
baixo no mundo subterrâneo. Trata-se de uma hora de importância crucial, quando o
mundo objetivo precisa desempenhar seu papel adequado, exercendo uma tensão e
um equilíbrio "de outro mundo" que ajuda a conduzir o processo a bom termo.

E assim prosseguimos perambulando no nosso caminho perguntando-nos —
ResponderExcluirse a verdade fosse dita, realmente resmungando com nossos botões — "Será que eu
sou deste mundo ou do outro?" e respondendo "Sou dos dois." Nós nos lembramos
disso à medida que prosseguimos. A mulher num processo desses precisa ser dos dois
mundos. É esse tipo de movimento sem rumo que ajuda a eliminar o último resquício
de resistência, a última possibilidade de hubris, a arrasar a última objeção que
pudéssemos imaginar, porque andar desse jeito é cansativo. No entanto, esse tipo
específico de fadiga faz com que finalmente abandonemos as ambições e os receios do
ego para simplesmente acompanhar o que vier. Em conseqüência dessa atitude,
nossa compreensão do nosso tempo nas florestas subterrâneas será profunda e
completa.