"A donzela sem mãos" é uma história da vida real a respeito de nós, mulheres de verdade. Ela não trata de uma parte das nossas vidas, mas da nossa existência inteira.

Na sua essência, ela ensina que para as mulheres o trabalho consiste em vaguear, entrando e saindo da floresta repetidas vezes. Nossas psiques e nossas almas são especificamente adequadas a isso, de tal modo que conseguimos percorrer o subterrâneo psíquico, parando aqui e ali, prestando atenção à velha Mãe Selvagem, sendo alimentadas pelos frutos do espírito e conseguindo nos reunir a tudo e todos a quem amamos. A princípio, o tempo passado com a Mulher Selvagem é difícil. Recuperar o instinto ferido, eliminar a ingenuidade e, com o tempo, aprender os aspectos mais profundos da psique e da alma, guardar o que tivemos aprendido, não voltar as costas, defender aquilo que representamos... tudo isso exige uma resistência mística e infinita.
Quando emergimos de volta do outro mundo depois de uma das nossas incursões por lá, por fora pode parecer que não mudamos, mas por dentro reconquistamos um vasto território feminino e selvagem. Na superfície, ainda somos simpáticas, mas debaixo da pele decididamente não somos mais mansas.

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