Portanto, quando o moleiro começa a cortar lenha, poderíamos dizer que a psique começou a fazer o trabalho extremamente árduo de produzir luz e calor para si mesma

O moleiro desempregado passando por dificuldades havia começado a cortar lenha. E um trabalho pesado o de cortar lenha, não é? Ele envolve muito esforço físico. No entanto, esse corte de lenha representa vastos recursos psíquicos, a capacidade de fornecer energia para as próprias tarefas, de desenvolver as próprias idéias, de trazer o seu sonho, qualquer que ele seja, para o seu alcance. No entanto, o pobre ego está sempre procurando uma saída fácil. Quando o diabo sugere aliviar o moleiro do trabalho pesado em troca da luz do feminino profundo, o moleiro ignorante aceita o trato. É assim que selamos nosso destino. Nas profundezas hibernais da nossa mente, somos duronas e sabemos que não existe nada que se assemelhe a uma transformação sem esforço. Sabemos que teremos de arder até o chão, de uma forma ou de outra, para depois nos sentarmos nas cinzas do que um dia pensamos ser e avançar a partir dali.
Ocorre, porém, que um outro lado da nossa natureza, uma parte mais desejosa da ociosidade, espera que isso não seja verdade, espera que o trabalho duro termine para poder voltar ao sono. Quando o predador chega, já estamos preparadas para ele, e nos sentimos aliviadas ao imaginar que talvez exista um jeito mais fácil. Quando fugimos do corte de lenha, as mãos da psique é que são cortadas... pois sem o trabalho psíquico, as mãos psíquicas definham. No entanto, esse desejo de um pacto que evite o trabalho pesado é tão humano e tão comum que é surpreendente encontrar uma pessoa viva que não o tenha aceitado. A opção é tão freqüente que, se fôssemos dar um exemplo atrás do outro de mulheres (ou homens) que desejam parar de cortar lenha para ter uma vida mais fácil, perdendo assim suas mãos — ou seja, seu domínio sobre sua própria vida — bem, demoraríamos muito nisso.

Comentários

  1. Por exemplo, a mulher que se casa por motivos errados e poda sua vida
    criativa. A mulher que tem uma preferência sexual e se força a aceitar outra. A
    mulher que quer ser ou fazer algo de importante, e que fica em casa contando clipes
    de papel. A mulher que quer viver a vida, mas que coleciona pequenos fragmentos de
    vida como se fossem pedacinhos de barbante. A mulher que tem sua própria
    identidade, mas que entrega um braço, uma perna ou um olho ao primeiro namorado
    que se apresente. A mulher que tem um excesso de criatividade radiante e convida
    suas amigas vampiras para uma sessão de esgotamento. A mulher que precisa
    prosseguir com a sua própria vida, e algo dentro dela lhe diz, "não, estar presa é estar
    segura". Tudo isso é o diabo dizendo, "dou-lhe isso se você me der aquilo", o pacto
    sem o conhecimento.

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