Vemos, portanto, o animus na sua própria transformação, preparando-se para ser um parceiro adequado para a donzela e o Self-criança.
Afinal, eles se reúnem, e
ocorre a volta à velha mãe, à mãe sábia, à mãe que tudo suporta, que ajuda com sua
inteligência e sabedoria... e todos permanecem unidos e com amor uns pêlos outros.
A tentativa demoníaca de assumir o controle da alma fracassou de modo
irreversível. A resistência da alma foi testada e aprovada. A mulher passa por esse
ciclo uma vez a cada sete anos, sendo a primeira passagem muito suave e, geralmente
pelo menos uma das vezes, muito difícil. Daí em diante, o processo apresenta um
aspecto de recordação ou de renovação. Aqui, afinal, descansemos para apreciar essa
bela visão panorâmica das iniciações e tarefas da mulher. Uma vez que tenhamos
passado pelo ciclo, podemos escolher qualquer uma ou todas as tarefas para renovar
nossa vida a qualquer momento e por qualquer motivo. Seguem-se algumas delas:
• abandonar os velhos pais da psique, descer ao território psíquico
desconhecido, ao mesmo tempo em que se depende da boa vontade de quem quer
que se encontre no caminho
• atar as feridas causadas pelo pacto infeliz feito em alguma época da nossa
vida
• perambular com sua alma faminta (em termos psíquicos) e confiar na
natureza para a alimentação
• descobrir a Mãe Selvagem e seu socorro
• entrar em contato com o animus protetor do outro mundo
• conversar com o emissário da psique (o mágico)
• contemplar os pomares antigos (as formas energéticas) do feminino
• incubar e dar à luz o Self-criança espiritual
• suportar ser mal-compreendida, ser apartada do amor repetidas vezes
• tornar-se suja, enlameada, enegrecida
• permanecer no reino do povo da floresta durante sete anos até que a criança
chegue à idade da razão
• esperar
• regenerar a visão interior, o conhecimento interior, a cura interior das mãos
• continuar avançando mesmo que tenha perdido tudo à exceção do filho
espiritual
• reconstituir e apreender a infância, a mocidade e a idade adulta
• reformar o animus como um homem selvagem e natural; amá-lo; e ele a ela
• consumar o casamento selvagem na presença da velha Mãe Selvagem e do
novo Self-criança.

O fato de tanto a donzela sem mãos quanto o rei sofrerem a mesma iniciação
ResponderExcluirde sete anos é o traço comum entre o feminino e o masculino. Isso reforça a idéia de
que, em vez de antagonismo entre essas duas forças, pode haver um amor profundo,
especialmente se ele estiver enraizado na procura do próprio self.