Um dos aspectos mais surpreendentes dessa longa iniciação consiste em que a mulher que passa por esse processo continua a sua vida normal no mundo objetivo: ela ama o amado; dá à luz filhos; corre atrás das crianças; corre atrás da arte; corre atrás das palavras; carrega alimentos, tintas, meadas; luta por uma coisa ou por outra; enterra os mortos; cumpre todas as tarefas de rotina ao mesmo tempo que avança nessa jornada profunda e distante.

A mulher, nessas condições, encontra-se muitas vezes dividida entre duas opções, pois abate-se sobre ela um impulso de mergulhar na floresta como se ela fosse um rio, de nadar no verde, de subir ao topo de um penhasco e ficar ali sentada com o rosto ao vento. E uma época na qual um relógio interior bate uma hora que faz a mulher sentir uma necessidade repentina de um céu que ela possa chamar de seu, uma árvore que possa abraçar, uma pedra na qual possa encostar o rosto. Mesmo assim, ela também precisa viver sua vida no mundo concreto. É um motivo de honra para que, apesar de ter muitas vezes sentido o desejo de sair correndo em direção ao pôr-do-sol, ela não o tenha feito. Pois é essa vida concreta que exerce o nível certo de pressão para que ela assuma as tarefas do outro mundo. É melhor permanecer neste mundo durante esse período, em vez de abandoná-lo, porque a tensão é melhor, e a tensão cria uma vida preciosa e bem torneada que não pode ser obtida de nenhuma outra forma.

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