Portanto, a donzela sem mãos está esperando um bebê, um novo e pequenino self selvagem.
Ela pode precisar fazer excursões selvagens pelas montanhas, saltando de uma
rocha para outra, experimentando ouvir o eco de sua voz nas pedras. Ela pode
precisar de horas de noites estreladas, em que as estrelas sejam como pó-de-arroz
derramado sobre um piso de mármore negro. Ela pode ter a impressão de que irá
morrer se não sair dançando nua numa tempestade de verão, se não ficar sentada em
silêncio total, se não voltar para casa manchada de tinta, manchada de cor, manchada
de lágrimas, manchada da lua.
Um novo self está a caminho. Nossa vida interior, como a conhecíamos até
agora, está prestes a mudar. Embora isso não queira dizer que devamos descartar os
aspectos razoáveis e especialmente os que fornecem apoio, numa espécie de
arrumação enlouquecida da casa, é verdade que nessa descida o mundo objetivo e
seus ideais fenecem; e durante algum tempo ficaremos irrequietas e insatisfeitas, pois
a satisfação, a realização, reside no processo de nascer na realidade interior.
Aquilo pelo que ansiamos jamais poderá ser concretizado por um parceiro, um
emprego, pelo dinheiro, por um novo isso ou aquilo. E esse Self-criança que estamos
esperando é produzido exatamente por esse meio — pela espera. À medida que o
tempo passa na nossa vida e nos nossos esforços no outro mundo, o bebê cresce para
vir a nascer.

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