O sexto estágio — O reino da Mulher Selvagem

Embora esse episódio seja o mais curto da história, ele é na verdade o mais longo, tanto no tempo decorrido quanto em termos de realização da tarefa
A jovem rainha chega à floresta mais extensa e mais impenetrável que ela já viu. Não é possível nela detectar trilhas. Ela abre caminho passando por cima, através e em volta de tudo. Quase ao anoitecer, o mesmo espírito branco que a ajudou no fosso anteriormente a conduz a uma pobre estalagem de gente simpática da floresta. Uma mulher de branco a convida a entrar e a chama pelo nome. Quando a jovem rainha pergunta como descobriu seu nome, a mulher de branco responde: "Nós da floresta acompanhamos esses casos, minha rainha."
A donzela mais uma vez perambulou e como que chegou em casa para passar sete anos — separada do marido, é verdade, mas fora isso passando por uma experiência enriquecedora e de restauração. Seu estado novamente despertou a compaixão de um espírito de branco — que agora é seu espírito guia — e ele a conduz a esse lar na floresta. Assim é a natureza infinitamente misericordiosa da psique profunda durante a viagem da mulher. Sempre há alguém mais que irá nos auxiliar. Esse espírito que a conduz e a abriga é o da velha Mãe Selvagem, e como tal encarna a psique instintiva que sempre sabe o que acontecerá depois e o que virá depois disso.Essa enorme floresta selvagem encontrada pela donzela é o arquétipo do campo iniciático sagrado. Ela é como Leuce, a floresta que os gregos antigos diziam existir no mundo dos mortos, repleta de árvores sagradas e ancestrais e povoada de animais, tanto selvagens quanto mansos. É ali que a donzela sem mãos encontra a paz por sete anos. Como se trata de um local arborizado, e como a própria donzela é representada pela macieira florida, essa é finalmente a sua terra natal, o lugar onde sua alma florida e impetuosa reconquista suas raízes.

Comentários

  1. E quem é a mulher que cuida da estalagem embrenhada na floresta? Como o
    espírito vestido num branco resplandecente, ela é um aspecto da velha deusa tríplice.
    E, se absolutamente todas as fases do conto de fadas original tivessem sido mantidas,
    haveria também uma velha feroz/simpática na estalagem numa condição ou noutra.
    No entanto, esse trecho da história se perdeu, mais ou menos como um original do
    qual foram arrancadas algumas páginas. É provável que o elemento ausente tenha
    sido eliminado durante um dos antigos confrontos entre a velha religião da natureza
    e a religião mais nova para determinar qual crença religiosa acabaria predominando.
    O que restou tem, porém, muita força. As águas da história não são só profundas,
    mas também límpidas.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

"A donzela sem mãos" é uma história da vida real a respeito de nós, mulheres de verdade. Ela não trata de uma parte das nossas vidas, mas da nossa existência inteira.

O sétimo estágio — O noivo e a noiva selvagens

O que vemos são duas mulheres que, durante o prazo de sete anos, vêm a se conhecer mutuamente. O espírito de branco é semelhante à telepática Baba Yaga em "Vasalisa", que é uma representação da velha Mãe Selvagem. Como a Yaga diz a Vasalisa, muito embora nunca a tenha visto antes, "Sei, conheço o seu pessoal", esse espírito feminino que toma conta da estalagem no outro mundo já conhece a jovem rainha, pois ela também faz parte da sagrada Mulher Selvagem, que tudo sabe.