O sétimo estágio — O noivo e a noiva selvagens

Agora o rei retorna, e ele e a mãe concluem que o demônio sabotou suas mensagens. O rei faz votos de purificação — de ficar sem comer nem beber e de viajar até os confins do mundo para encontrar a donzela e seu filho. São sete anos de procura. Suas mãos ficam negras; sua barba, de um marrom sujo como o musgo; seus olhos, avermelhados e ressecados. Durante todo esse tempo, ele não come, nem bebe, mas uma força maior do que ele mesmo o ajuda a viver. Ele afinal chega à estalagem mantida pelo povo da floresta. Ali, ele é coberto por um véu, adormece e acorda para encontrar um linda mulher e uma bela criança com os olhos fixos nele. "Sou sua mulher, e esse é o nosso filho", diz a jovem rainha. O rei quer acreditar mas vê que a donzela tem mãos. "Com as minhas aflições e ainda assim com meus cuidados, as minhas mãos cresceram de novo", diz ela. E a mulherespírito de branco traz as mãos de prata de uma arca onde estavam guardadas com carinho. É uma festa espiritual. O rei, a rainha e a criança voltam para a mãe do rei e realizam um segundo casamento. Aqui no final, a mulher que cumpriu a descida completa reuniu uma vigorosa quadrinidade de forças espirituais: o animus do rei, o Self-criança, a velha Mãe Selvagem e a donzela iniciada. Ela foi lavada e purificada muitas vezes. O desejo do seu ego por uma vida segura já não é mais seu guia. Agora, esse quatérnio rege a psique

Comentários

  1. Foram o sofrimento e a peregrinação do rei que propiciaram a reunião e o
    casamento definitivos. Por que ele, que é rei do outro mundo, precisa peregrinar? Ele
    não é o rei? Bem, a verdade é que também os reis precisam cumprir seu trabalho
    psíquico, mesmo reis arquetípicos. Nessa história está a idéia antiga e extremamente
    enigmática de que quando uma força da psique muda, as outras devem mudar
    também. Aqui, a donzela não é mais a mulher com quem se casou, não é mais aquela
    frágil andarilha. Agora ela está iniciada; agora ela conhece suas atitudes de mulher
    em todas as questões. Agora ela está sazonada com as histórias e os conselhos da
    velha Mãe Selvagem. Ela agora tem mãos.

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Durante a trajetória da mulher por esses ciclos, suas camadas de defesa, proteção e densidade vão se tornando mais diáfanas até que o brilho da sua própria alma começa a transparecer. Podemos sentir e ver o movimento da alma dentro da psique corporal de uma forma surpreendente à medida que envelhecemos cada vez mais.

A vida da mulher é dividida em fases, cada uma com sete anos. Cada período de sete anos representa um certo conjunto de experiências e aprendizagens. Essas fases podem ser compreendidas em termos mais concretos como estágios do desenvolvimento, mas elas podem ainda mais ser vistas como estágios espirituais de desenvolvimento que não correspondem necessariamente à idade cronológica da mulher, embora às vezes isso ocorra.