O sacrifício da corça era um rito de revivificação para as mulheres, um rito que teria sido conduzido por uma mulher mais velha como a mãe do rei, pois ela seria designada "conhecedora" dos ciclos da morte e da vida.

Como as mulheres na descida, esse animal sagrado era conhecido como um intrépido sobrevivente do frio e dos invernos mais desesperadores. Considerava-se que a corça era plenamente eficiente em procurar provisões, em dar à luz e viver de acordo com os profundos ciclos da natureza. É provável que os participantes de um ritual desses pertencessem a um clã e que a idéia do sacrifício era a de dar lições às iniciante quanto à morte, bem como a de nelas infundir as qualidade do próprio animal selvagem. Aqui repete-se o sacrifício — um duplo rubedo, um sacrifício de sangue, na realidade. Em primeiro lugar, há o sacrifício da corça, o animal sagrado da antiga linhagem da Mulher Selvagem. Nos ritos antigos, matar uma corça fora da estação significava violar a velha Mãe Selvagem. O abate de animais é um trabalho perigoso, pois diversas entidades gentis úteis adotam o disfarce de animais.Considerava-se que matar um animal fora da estação colocava em risco o delicado equilíbrio da natureza podendo provocar uma represália de proporções míticas. No entanto, o ponto principal é que o sacrifício de um animal-mãe, uma corça, que representava o conhecimento feminino acompanhado do consumo da sua carne e do uso do seu pêlo para proteção contra o frio e para demonstrar a participação no clã, o tornar-se esse animal, era um ritual sagrado entre as mulheres desde o início dos tempos. Guardar olhos, as orelhas, o focinho, os chifres e diversas vísceras era dispor do poder simbolizado pelas suas funções: a visão aguçada, a percepção de longe, a movimentação veloz, a resistência física, o tom certo para chamar a própria espécie e assim por diante

Comentários

  1. É fato que podemos nos fixar num aspecto especialmente agradável da união
    psíquica e ali permanecer para sempre, mamando na teta sagrada. Isso não quer
    dizer que a nutrição seja destrutiva. Pelo contrário, a nutrição é absolutamente
    essencial para a viagem, e necessária em quantidades substanciais. Na realidade, se a
    nutrição for insuficiente, a inicianda perderá energia, cairá em depressão e definhará
    até não ser mais do que um sussurro. No entanto, se permanecermos no nosso local
    preferido da psique, como por exemplo somente na beleza, ou somente no êxtase, o
    processo de individuação vai ficando cada vez mais lento. A verdade nua e crua é que
    aquelas forças sagradas que encontramos dentro da nosso psique devem um dia ser
    abandonadas, pelo menos momentaneamente, para que o próximo estágio do
    processo possa se realizar.

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  2. Esse segundo rubedo transparece quando a donzela é separada tanto da boa e
    velha mãe como do rei. Esse é um período em que estamos encarregadas de lembrar,
    de persistir na nutrição espiritual mesmo que estejamos separadas daquelas forças
    que nos sustentaram no passado. Não podemos permanecer no êxtase da união
    perfeita para sempre. Para a maioria de nós, não é essa a nossa linha de conduta.
    Nossa missão é, sim, a de a certa altura nos afastarmos dessas forças estimulantes,
    permanecendo, entretanto, em vínculo consciente com elas, e prosseguir para a tarefa
    seguinte.

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O que vemos são duas mulheres que, durante o prazo de sete anos, vêm a se conhecer mutuamente. O espírito de branco é semelhante à telepática Baba Yaga em "Vasalisa", que é uma representação da velha Mãe Selvagem. Como a Yaga diz a Vasalisa, muito embora nunca a tenha visto antes, "Sei, conheço o seu pessoal", esse espírito feminino que toma conta da estalagem no outro mundo já conhece a jovem rainha, pois ela também faz parte da sagrada Mulher Selvagem, que tudo sabe.

As idades e os estágios da vida da mulher fornecem tanto tarefas a serem realizadas quanto atitudes nas quais enraizá-las.

Depois disso, nosso espírito reage movimentando-se quando nos movemos, procurando alcançar quando procuramos alcançar, caminhando quando caminhamos, mas sem nenhum sentimento no que faz.