O rei manda fazer para a donzela um par de mãos espirituais, que agirão em sua defesa no mundo subterrâneo. É nessa fase que a mulher adquire perícia na sua viagem. Sua submissão à viagem é total.

Ela como que caminha sobre os próprios pés e mãos. Tomar nas mãos o mundo subterrâneo significa aprender a invocar os poderes daquele mundo, direcioná-los, confortá-los e recorrer a eles, mas também a evitar seus aspectos desagradáveis, como a sonolência, entre outros. Se o símbolo da mão no mundo objetivo contém radar sensorial dos outros, a mão simbólica do outro mundo pode ver no escuro e através do tempo.
A idéia de substituir partes mutiladas por membros de prata, ouro ou madeira tem uma história antiqüíssima. Em contos de fadas da Europa e das regiões polares, o trabalho na prata é a arte dos homunculi, dos duendes, dvergar, gnomos, diabretes e elfos, que, traduzidos em termos psicológicos, são aqueles aspectos elementais do espírito que vivem nas profundezas da psique e que a escavam à procura de idéias preciosas.

Comentários

  1. Essas criaturas são pequenos mensageiros psíquicos, mensageiros entre a
    força da alma e os seres humanos. Desde tempos imemoriais, os objetos criados de
    metais preciosos são associados a esses trabalhadores minuciosos e bastante
    ranzinzas. É mais um exemplo da psique em funcionamento em nos interesse muito
    embora não estejamos presentes em todos lugares a todo momento.Como acontece com todas as coisas do espírito, as mãos de prata contêm tanto a história quanto o mistério.
    Existe inúmeros mitos e contos que descrevem de onde tiveram origem as próteses mágicas, quem as formou, quem as fundiu quem as levou,quem as esfriou, quem as poliu e as instalou. Entre os gregos clássicos, a prata é um dos metais precioso da forja de Hefaístos.
    Como a donzela, o deus Hefaístos foi mutilado num drama relacionado aos seus pais.
    É provável que Hefaístos e o rei no conto de fadas sejam figuras intercambiáveis.

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