O rei deve, portanto, sofrer para se desenvolver. Sob certos aspectos, o rei permanece no outro mundo, mas, como uma figura do animus, ele representa a adaptação da mulher à vida coletiva — ele transporta as idéias principais que ela aprendeu na sua jornada até a superfície, ou a sociedade exterior.
Só que ele ainda
não esteve na mesma situação que ela, e isso ele deve fazer para poder transmitir ao
mundo o que ela é e o que ela sabe.
Depois que a velha Mãe Selvagem lhe comunica que ele foi enganado pelo
demônio, ele mesmo é mergulhado na sua própria transformação através da
peregrinação e descoberta, exatamente como aconteceu antes com a donzela. Ele não
perdeu as mãos, mas perdeu sua rainha e seu filho. Por isso, o animus imita o
caminho da donzela.
Essa reencenação por empatia reorganiza o jeito da mulher de ser no mundo.
Reorientar o animus dessa maneira é iniciá-lo na missão pessoal da mulher. Pode ser
por esse motivo que chegou a haver iniciandos do sexo masculino na iniciação
essencialmente feminina em Elêusis. Esses homens assumiam as tarefas e provações
do aprendizado feminino a fim de encontrar suas próprias rainhas e filhos psíquicos.
O animus entra nos seus próprios sete anos de iniciação. Com isso, aquilo que a
mulher aprendeu irá não só se refletir na sua alma interior, mas também ficará
inscrito nela, moldando também seus atos concretos.


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