O diabo na história simboliza qualquer coisa que corrompa a compreensão dos profundos processos femininos.
Sabemos que não é preciso um Torquemada para
atormentar a alma das mulheres. Elas também podem ser atormentadas pela boa
vontade de métodos novos, porém antinaturais, que, se levados ao exagero, roubem
da mulher sua benéfica natureza selvagem e sua capacidade de criar alma. A mulher
não precisa viver como se tivesse nascido no ano 1000 a. C. No entanto o antigo
conhecimento é universal, um aprendizado eterno e imortal, que terá tanta aplicação
daqui a cinco mil anos quanto hoje e quanto há cinco mil anos. É um conhecimento
arquetípico, e esse tipo de sabedoria é atemporal. Convém lembrar que o predador
também é atemporal.
Num sentido totalmente diverso, o trocador de mensagens, por ser uma força
inata e contrária existente na psique e no mundo, opõe-se naturalmente ao novo Selfcriança. No entanto, paradoxalmente, como temos de reagir de modo a combater essa
força ou a compensá-la, a própria luta nos fortalece imensamente. No nosso próprio
trabalho psíquico, recebemos constantemente mensagens trocadas pelo diabo — "Sou
boa nisso; não sou tão boa assim. Meu trabalho é profundo; meu trabalho é bobo.
Estou melhorando; não estou saindo do lugar. Tenho coragem; sou covarde. Tenho
conhecimento; deveria ter vergonha de mim mesma " Essas mensagens, no mínimo,
confundem. Portanto, a mãe do rei sacrifica uma corça no lugar da jovem rainha. Na
psique, como na cultura em geral, há uma estranha característica psíquica. Não é só
quando as pessoas estão famintas e carentes que o diabo aparece, mas também às
vezes quando houve um acontecimento de rara beleza, nesse caso, o nascimento de
um lindo bebê. Mais uma vez, o predador é sempre atraído pela luz, e o que é mais
luminoso do que uma vida nova?


Existem, porém, outros entes dissimulados dentro da psique que também
ResponderExcluirprocuram menosprezar tudo que é novo ou empanar seu brilho. No processo de
aprendizado da mulher no outro mundo, é um fato psíquico que, se alguém deu à luz
algo de belo, algo perverso também irá surgir, mesmo que momentaneamente, algo
que sinta inveja, que careça de compreensão ou que demonstre desdém. A nova
criança será repreendida, será chamada de feia e será condenada por um antagonista
persistente ou mais de um. O nascimento do novo faz com que complexos, tanto o da
mãe negativa quanto o do pai negativo, bem como o de outras criaturas prejudiciais,
surjam do depósito de lixo psíquico e tentem, no mínimo, criticar acirradamente a
nova ordem e, na pior das hipóteses, fazer desanimar a mulher e seu novo rebento,
idéia, vida ou sonho.