Na história, a segunda pêra curva-se para alimentar a donzela e, como esse rei é o filho da velha Mãe Selvagem e como esse pomar pertence a ela, a jovem donzela na verdade prova o fruto dos segredos da vida e da morte.
Como o fruto é uma
imagem primordial dos ciclos de florescimento, crescimento, maturação e
fenecimento, o ato de comê-lo internaliza na inicianda um relógio psíquico que
conhece os padrões da vida-morte-vida e que avisa para sempre quando chegou a
hora de deixar algo morrer e prestar atenção a um novo nascimento.
De que modo encontramos essa pêra? Quando mergulhamos nos mistérios do
feminino, dos ciclos da terra, dos insetos, dos animais, das aves, das árvores, das
flores, das estações, da correnteza dos rios e do seu nível, das pelagens espessas e
ralas dos animais de acordo com as estações, dos ciclos de transparência e opacidade
nos nossos próprios processos de individuação, nos ciclos de desejo e indiferença na
sexualidade, na religiosidade, na ascensão e na queda.

Comer a pêra significa saciar nossa profunda fome criativa de escrever, pintar,
ResponderExcluiresculpir, tecer, dizer o que pensamos, defender posições, apresentar esperanças,
idéias e criações inauditas. É imensamente benéfico reintegrar nas nossas vidas
atuais todos os antigos modelos e princípios femininos dos ciclos e da sensibilidade
inata que agora fertilizam nossa vida.