É freqüente que a mulher nesse estado sinta um enorme entusiasmo, do tipo que a mulher sente quando encontra um companheiro extremamente parecido com aquele com quem sonhava. É uma época estranha, paradoxal, pois estamos na superfície e ao mesmo tempo nas profundezas da terra.

Estamos perambulando, e no entanto estamos sendo amadas. Não somos ricas, mas recebemos alimento. Em termos junguianos, esse estado é chamado de "tensão dos opostos", na qual alguma coisa de cada pólo da psique se constela de uma vez, criando um novo campo. Na psicologia freudiana, isso se chama "bifurcação", na qual a atitude ou disposição essencial da psique é dividida em duas polaridades: preto e branco, bem e mal. Entre os contadores de histórias, esse estado é chamado de "nascer de novo". É a época em que ocorre um segundo nascimento decorrente de uma fonte mágica, e daí em diante a alma passa a fazer jus a duas linhagens, uma do mundo físico, outra do mundo invisível. O rei diz que irá proteger e amar a donzela. Agora a psique está mais consciente. Haverá um casamento, uma união muito interessante entre o rei vivo da terra dos mortos e a mulher sem mãos da terra dos vivos. Um casamento entre dois parceiros tão díspares certamente poria à prova o amor mais magnífico entre duas pessoas. No entanto essa união está relacionada a todos aqueles casamentos picarescos nos contos de fadas nos quais são reunidas duas vidas cheias de energia, porém dessemelhantes.

Comentários

  1. A borralheira e o príncipe, a mulher e o urso, a jovem e a lua,
    a mulher foca e o pescador, a donzela do deserto e o coiote. A alma absorve o
    conhecimento de cada entidade. É isso o que quer dizer "nascer pela segunda vez".
    Nos casamentos dos contos de fadas, como nos do mundo objetivo, o grande
    amor e união entre seres diferentes pode durar para sempre, ou apenas até que o
    aprendizado esteja concluído. Na alquimia, a união dos opostos significa que logo
    ocorrerão uma morte e um nascimento; e logo veremos esses dois na história.

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