Como podemos depreender da história, quando o predador invade uma cultura, seja ela a de uma psique, seja a de uma sociedade, os vários aspectos ou indivíduos dessa cultura têm de usar de astúcia, ler nas entrelinhas, manter sua posição, para que não se vejam carregados pelas alegações escandalosas mas atraentes do predador

Quando há um excesso do predador e uma carência da alma selvagem, as estruturas religiosas, sociais e emocionais da cultura começam a mudar o natural para o artificial, o selvagem para o não-selvagem e a fazer especulações sombrias acerca da natureza instintual. É então que métodos dolorosos e antinaturais substituem o que anteriormente era abordado com sabedoria e reflexão.
Em temos culturais, podemos dar muitos exemplos de como o predador molda idéias e sentimentos a fim de roubar a luz da mulher. Um dos exemplos mais surpreendentes da perda da percepção natural consiste nas gerações de mulheres 3 0cujas mães interromperam a tradição de ensinar e preparar suas filhas para acolhêlas naquele que é o aspecto mais básico e físico do ser mulher, a menstruação. Na nossa cultura, mas também em muitas outras, o diabo trocou a mensagem de tal forma que o primeiro sangramento e todos os ciclos subseqüentes fossem cercados de humilhação em vez de assombro. Isso fez com que milhões de jovens mulheres perdessem a herança do seu corpo miraculoso e, em vez disso, sentissem medo de estar morrendo, sofrendo alguma doença ou sendo punidas por Deus. A cultura e os indivíduos dentro da cultura captaram a mensagem deformada pelo diabo sem examiná-la, passando-a adiante de uma forma impressionante, transformando assim o período da mulher pleno das sensações mais intensas, em termos emocionais e sexuais, num período de vergonha e punição.

Comentários

  1. Entretanto, por mais que o diabo minta e tente mudar as belas mensagens
    acerca da vida real da mulher para mensagens perversas, invejosas e desanimadoras,
    a mãe do rei vê realmente o que está ocorrendo e se recusa a sacrificar a filha. Em
    termos modernos, ela não tentaria silenciá-la, não a aconselharia a não dizer a
    verdade, não a estimularia a fingir ser menos para manipular mais. Essa figura de
    mãe selvagem do outro mundo corre o risco de represálias ao seguir o que ela sabe
    ser o melhor caminho. Em vez de ser sua cúmplice, ela é mais esperta do que o
    predador. Ela não cede. A Mulher Selvagem sabe o que é íntegro, sabe o que ajudará a
    mulher a prosperar, reconhece um predador ao ver um, sabe o que fazer a respeito.
    Mesmo quando pressionada pelas mensagens culturais ou psíquicas mais deturpadas,
    mesmo com um predador à solta na cultura ou na psique individual, todas nós ainda
    podemos ouvir suas instruções selvagens originais e agir de acordo com elas.

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