Como o símbolo do rio circular, o do fosso, a história nos avisa que essa água não é qualquer água, mas de um tipo determinado. Ela é uma fronteira, semelhante ao círculo que a donzela traçou ao redor de si para manter o diabo afastado. Quando entramos num círculo, ou o atravessamos, estamos entrando num outro estado do ser, num outro estado de consciência, ou de falta dela, ou estamos passando por esse estado.
Nesse caso, a donzela está passando pelo estado de inconsciência reservado
aos mortos. Ela não deve beber dessa água, nem vadear por ela, mas, sim, passar pelo
leito seco. Em virtude de ter de passar pela terra dos mortos na sua descida, a mulher
às vezes fica confusa e pensa que terá de morrer. Isso, porém, não é verdade. A
missão consiste em passar pela terra dos mortos como criatura viva, pois é assim que
se gera consciência.Esse fosso é, portanto, um símbolo extremamente significativo, e o fato de o
espírito na história esvaziá-lo ajuda a que compreendamos o que precisamos fazer na
nossa própria viagem. Não devemos nos deitar e adormecer felizes com o que já
realizamos do nosso trabalho. Nem devemos mergulhar no rio numa louca tentativa
de acelerar o processo. Existe a morte com m minúsculo e a Morte com M maiúsculo.
Aquela que a psique procura nesse processo dos ciclos da vida-morte-vida é la
muerte por un instante, não La Muerte Eterna.

O mago aproxima-se dos espíritos, mas não muito, e pergunta: "Vocês são ou
ResponderExcluirnão são deste mundo?" E a donzela, vestida com as roupas selvagens e descuidadas
de uma criatura desprovida de ego, e acompanhada pelo luminoso corpo branco do
espírito, diz ao mago que está na terra dos mortos embora pertença aos vivos. "Eu fui
outrora do mundo. No entanto, não sou deste mundo." Quando o rei pergunta ao
mago se ela é humana ou se é um espírito, o mago responde que ela é as duas coisas.