Alguns dizem que o hímen é o véu. Outros, que a ilusão é o véu. Nenhum dos dois grupos está errado, mas há mais a ser dito. Por ironia, embora o véu tenha sido usado para ocultar a beleza do olhar concupiscente dos outros, ele também é apetrecho da femme fatale. Usar um véu de um certo tipo, numa certa hora, com um certo amante e com uma certa aparência é transpirar uma intensa e indefinida eroticidade que provoca uma verdadeira suspensão da respiração. Na psicologia feminina, o véu é um símbolo da capacidade das mulheres de assumir a presença ou a essência que desejem.

Há uma surpreendente força espiritual na mulher coberta por véus. Ela inspira tanta admiração que todos que a encontram param onde estão, tão perplexos com sua aparição que só podem deixá-la em paz. A donzela no conto é coberta com véus para sair em viagem, tomando-se, portanto, intocável. Ninguém ousaria erguer seu véu sem sua permissão. Depois de todas as atitudes invasoras por parte do demônio, ela está mais uma vez protegida. As mulheres também sofrem essa transformação. Quando se encontram cobertas por véus, as pessoas sensatas sabem que é melhor não invadir seu espaço psíquico. Pois bem, depois de todas as falsas mensagens na psique, e mesmo no exílio, estamos protegidas por algum conhecimento superior, alguma solidão suntuosa e benéfica que tem origem no nosso relacionamento com a velha Mãe Selvagem. Estamos mais uma vez com o pé na estrada, mas em segurança. Por estarmos usando o véu, demonstramos pertencer à Mulher Selvagem. Somos dela e, embora não sejamos inatingíveis, de algum modo algo nos mantém afastadas de uma imersão total na rotina da vida.

Comentários

  1. As diversões do mundo objetivo não nos deslumbram. Estamos perambulando
    à procura do nosso lugar, da nossa terra natal no inconsciente. Como se diz que as
    árvores frutíferas em flor estão usando lindos véus, nós e a donzela somos agora
    macieiras floridas em movimento, à procura da floresta à qual pertencemos.

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O que vemos são duas mulheres que, durante o prazo de sete anos, vêm a se conhecer mutuamente. O espírito de branco é semelhante à telepática Baba Yaga em "Vasalisa", que é uma representação da velha Mãe Selvagem. Como a Yaga diz a Vasalisa, muito embora nunca a tenha visto antes, "Sei, conheço o seu pessoal", esse espírito feminino que toma conta da estalagem no outro mundo já conhece a jovem rainha, pois ela também faz parte da sagrada Mulher Selvagem, que tudo sabe.

As idades e os estágios da vida da mulher fornecem tanto tarefas a serem realizadas quanto atitudes nas quais enraizá-las.

Depois disso, nosso espírito reage movimentando-se quando nos movemos, procurando alcançar quando procuramos alcançar, caminhando quando caminhamos, mas sem nenhum sentimento no que faz.