Agora a mãe do rei e a jovem rainha ficam juntas. A mãe do rei é adivinhem quem? — a velha La Que Sabé. Ela conhece todos os costumes.
Essa alquimia feminina de donzela, mãe e velha curandeira é espelhada no
relacionamento entre a donzela sem mãos e a mãe do rei. Elas são uma equação
psíquica semelhante, embora nesse conto a mãe do rei seja apenas esboçada, como a
donzela no início da história, com seu rito do vestido branco e do círculo de giz, a
velha mãe também conhece seus ritos antigos, como iremos ver.
Uma vez nascido o Self-criança, a velha rainha-mãe envia ao rei uma
mensagem sobre o bebê da jovem rainha. O mensageiro parece estar bem de saúde
mas, à medida que se aproxima de um córrego, ele sente cada vez mais sono,
adormece, e o diabo aparece. Essa é uma pista que nos diz que haverá novamente um
desafio à psique durante sua próxima tarefa no outro mundo.
Na mitologia grega, existe no outro mundo um rio chamado Letes, e beber das
suas águas faz com que a pessoa se esqueça de tudo que disse ou que fez. Em termos
psicológicos, isso quer dizer estar adormecido para a própria vida real. O emissário
que deveria promover e realizar a comunicação entre esses dois importantes
elementos da nova psique não consegue resistir à força destrutiva/sedutora da
psique. A função comunicativa da psique fica entorpecida, deita-se, adormece e se
esquece.


Pois, adivinhem quem está sempre aprontando? Ora, o velho rastreador de
ResponderExcluirdonzelas, o diabo faminto. Pelo uso do termo diabo na história, percebemos como
esse conto recebeu acréscimos de materiais religiosos mais recentes. No conto, o
mensageiro, o córrego e o sono que provoca o esquecimento revelam que a antiga
religião está logo abaixo do nível superficial da história, a camada imediatamente
inferior
Esse é o modelo arquetípico de descida desde o início dos tempos, e nós
ResponderExcluirtambém seguimos esse sistema imemorial. Da mesma forma, temos uma seqüência
de missões terríveis atrás de nós. Vimos a respiração fumegante da Morte.
Ultrapassamos as florestas que nos agarravam, as árvores ambulantes, as raízes que
nos faziam tropeçar, a névoa que nos deixava cegas. Somos heroínas psíquicas com
uma valise cheia de medalhas. E quem pode nos culpar agora? Queremos só
descansar. Merecemos descansar, pois passamos por muitas atribulações. E por isso
deitamos. Junto a um lindo córrego. O processo sagrado não está esquecido, é só... é
só... que queríamos dar um tempo, só um pouquinho, fechar os olhos só por um
instante...
E antes que percebamos, o diabo de um salto troca a mensagem que deveria
transmitir o amor e a alegria por uma destinada a provocar repulsa. O diabo
representa a irritação psíquica que nos atormenta com seu deboche: "Você voltou à
sua antiga inocência e ingenuidade agora que se sente amada? Agora que deu à luz?
Você acha que tudo está acabado, sua boba?"