A donzela é como a mulher após o parto. Ela se levanta da cadeira de parto do outro mundo, onde deu à luz novas idéias, uma nova visão da vida. Ela é agora coberta por véus, seu bebê é colocado junto ao seu peito, e ela segue adiante

Na versão da história da donzela sem mãos dos irmãos Grimm, o recém-nascido é do sexo masculino e se chama Triste. Já nas religiões matriarcais, o filho espiritual nascido da união da mulher com o rei do outro mundo chama-se Alegria. Aqui, mais um traço da antiga religião estende-se pelo chão. Em seguida ao nascimento do novo self da donzela, a mãe do rei manda a jovem rainha partir numa longa iniciação que, como veremos, irá ensinar-lhe os ciclos definitivos da vida feminina.A velha Mãe Selvagem concede à donzela uma dupla bênção: ela amarra o bebê ao seio pejado de leite para que o Self-criança possa se nutrir não importa o que venha a acontecer. Em seguida, seguindo a tradição dos antigos cultos das deusas, ela envolve a donzela em véus, sendo esse o principal traje de uma deusa ao sair em alguma santa peregrinação, quando não quer ser reconhecida ou ter sua atenção desviada do seu objetivo. Na Grécia, numerosas esculturas e baixos-relevos mostram a inicianda no rito elêusico sendo coberta com véus para aguardar o novo passo da iniciação. O que representa esse símbolo dos véus? Ele assinala a diferença entre a ocultação e o disfarce. Esse símbolo trata da privacidade, de ficar só, de não deixar escapar a natureza misteriosa. Trata-se de preservar o eros e o mysterium da natureza selvagem.

Comentários

  1. Enfrentamos, às vezes, dificuldade para manter nossa energia vital no
    caldeirão transformador por tempo suficiente para que disso resulte algo para nós.
    Precisamos guardar esse segredo conosco sem revelá-lo para quem quer que nos
    peça, ou para qualquer inspiração sorrateira que de repente caia sobre nós, dizendonos que seria uma boa idéia inclinar o caldeirão e despejar o melhor de nós mesmas
    na boca dos outros ou no próprio chão.

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