Quando a mulher renuncia aos seus instintos que lhe indicam a hora certa para dizer sim ou não, quando ela renuncia ao seu insight, sua intuição e outros traços de natureza selvagem, ela se encontra, então, em situações que prometem ouro mas que acabam gerando dor.
Algumas mulheres desistem da sua arte em troca de
um grotesco casamento por interesse, abandonam o sonho de uma vida para ser uma
boa esposa, boa filha ou boa menina, ou renunciam à sua verdadeira vocação a fim de
levar o que elas esperam que venha a ser uma vida, mais aceitável, mais plena e mais
digna.
Por esses meios e por outros perdemos nossos instintos. Em vez de nossas
vidas se encherem com a possibilidade de iluminação, somos encobertas por uma
espécie de "obscurecimento". Nossa capacidade exterior de penetrar na natureza das
coisas bem como nossa visão interior estão em sono profundo de tal forma que,
quando o diabo chega e bate à porta, nós vamos até ela, como sonâmbulas, e
deixamos que ele entre.

O diabo simboliza a força sinistra da psique, o predador, que nessa história
ResponderExcluirnão é reconhecido pelo que é. Esse diabo é um bandido arquetípico que precisa da
luz, que a deseja e a rouba. Em tese, se a luz lhe fosse dada — ou seja, uma vida com a
possibilidade do amor e da criatividade — o diabo não seria mais o diabo.
Nessa história, o diabo se apresenta porque a doce luz da jovem o atraiu. Sua
luz não é qualquer uma, mas a de uma alma virginal presa num estado de
sonambulismo.