Podemos compreender a remoção das mãos psíquicas exatamente da mesma forma que esse símbolo era compreendido pelos antigos. Na Ásia, o machado celestial era utilizado para separar a pessoa do self não-iluminado

Nas antigas religiões matriarcais, esse tipo de machado pertence por natureza à deusa, não ao pai. Essa seqüência no conto de fadas sugere com firmeza que a propriedade do machado por parte do pai ocorre na história em conseqüência da mistura de aspectos das religiões novas e antigas, sendo que a mais antiga foi desfeita e deixou certamente de ser lembrada. No entanto, independente das névoas do tempo e/ou das camadas que encobrem essas antigas idéias sobre a iniciação das mulheres, ao acompanhar uma história como essa, podemos extrair do emaranhado aquilo que precisamos. Podemos refazer o mapa que mostra o caminho da descida e o caminho de volta.
Essa imagem do corte como iniciação tem importância central na história. Se, nas nossas sociedades modernas, as mãos do ego devem ser decepadas com o objetivo de reconquista da nossa função selvagem, dos nossos sentidos femininos, então é melhor que elas sejam mesmo perdidas para que nos afastemos de todas as seduções de coisas sem sentido que estão ao nosso alcance, de tudo aquilo a que podemos nos agarrar para não crescer. Se é esse o motivo pelo qual as mãos precisam ser perdidas por algum tempo, que seja assim. Renunciemos a elas.

Comentários

  1. O pai brande a ferramenta de corte de prata e, embora ele tenha uma sensação
    de enorme pesar, ele valoriza mais sua própria vida e a da psique ao seu redor, apesar
    de alguns contadores realçarem claramente que a vida que ele mais teme perder é a
    sua própria. Se considerarmos o pai como o princípio organizador, uma espécie de
    regente da psique externa ou terrena, podemos, então, concluir que o self manifesto
    da mulher, seu self egóico, não quer morrer.

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  2. Isso é perfeitamente compreensível. É sempre esse o caso quando ocorre uma
    descida. Parte do que somos é atraída pela descida como se ela fosse algo bonito,
    sombrio e agridoce. Ao mesmo tempo, sentimos repulsa por ela e atravessamos ruas,
    estradas e até mesmo continentes psíquicos para evitá-la. No entanto, aqui nos é
    demonstrado que a árvore florida precisa sofrer a amputação. O único motivo pelo
    qual temos condição de suportar essa idéia está na promessa de que alguém, em
    alguma parte no lado oculto da psique, está à nossa espera, para nos ajudar, para nos
    curar. E isso é verdade. Alguém muito importante espera para nos restaurar, para
    transformar o que se deteriorou e para atar os membros que se feriram.

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