Podemos compreender a remoção das mãos psíquicas exatamente da mesma forma que esse símbolo era compreendido pelos antigos. Na Ásia, o machado celestial era utilizado para separar a pessoa do self não-iluminado
Nas antigas religiões matriarcais, esse tipo de machado pertence por natureza
à deusa, não ao pai. Essa seqüência no conto de fadas sugere com firmeza que a
propriedade do machado por parte do pai ocorre na história em conseqüência da
mistura de aspectos das religiões novas e antigas, sendo que a mais antiga foi desfeita
e deixou certamente de ser lembrada. No entanto, independente das névoas do tempo
e/ou das camadas que encobrem essas antigas idéias sobre a iniciação das mulheres,
ao acompanhar uma história como essa, podemos extrair do emaranhado aquilo que
precisamos. Podemos refazer o mapa que mostra o caminho da descida e o caminho
de volta.
Essa imagem do corte
como iniciação tem importância central na história. Se, nas nossas sociedades
modernas, as mãos do ego devem ser decepadas com o objetivo de reconquista da
nossa função selvagem, dos nossos sentidos femininos, então é melhor que elas sejam
mesmo perdidas para que nos afastemos de todas as seduções de coisas sem sentido
que estão ao nosso alcance, de tudo aquilo a que podemos nos agarrar para não
crescer. Se é esse o motivo pelo qual as mãos precisam ser perdidas por algum tempo,
que seja assim. Renunciemos a elas.


O pai brande a ferramenta de corte de prata e, embora ele tenha uma sensação
ResponderExcluirde enorme pesar, ele valoriza mais sua própria vida e a da psique ao seu redor, apesar
de alguns contadores realçarem claramente que a vida que ele mais teme perder é a
sua própria. Se considerarmos o pai como o princípio organizador, uma espécie de
regente da psique externa ou terrena, podemos, então, concluir que o self manifesto
da mulher, seu self egóico, não quer morrer.
Isso é perfeitamente compreensível. É sempre esse o caso quando ocorre uma
ResponderExcluirdescida. Parte do que somos é atraída pela descida como se ela fosse algo bonito,
sombrio e agridoce. Ao mesmo tempo, sentimos repulsa por ela e atravessamos ruas,
estradas e até mesmo continentes psíquicos para evitá-la. No entanto, aqui nos é
demonstrado que a árvore florida precisa sofrer a amputação. O único motivo pelo
qual temos condição de suportar essa idéia está na promessa de que alguém, em
alguma parte no lado oculto da psique, está à nossa espera, para nos ajudar, para nos
curar. E isso é verdade. Alguém muito importante espera para nos restaurar, para
transformar o que se deteriorou e para atar os membros que se feriram.