O terceiro estágio — A perambulação

No terceiro estágio da história, o pai faz a oferta de manter a filha na riqueza pelo resto da vida, mas ela diz que vai partir para depender do destino. Ao amanhecer, com os braços atados com gaze limpa, ela se afasta da vida como a conhecia até então.Ela se torna desgrenhada e animalesca. Tarde da noite, ela chega a um pomar onde as pêras são numeradas. Um espírito esgota o fosso em volta do pomar; e, enquanto o jardineiro observa assombrado, ela come a pêra que se oferece a ela. A iniciação é o processo pelo qual desistimos da nossa inclinação natural para permanecer inconsciente e resolvemos que, custe o que custar — sofrimento, luta, persistência —iremos perseguir a união consciente com a mente mais profunda, o Self selvagem.
Na história, a mãe e o pai tentam atrair a filha de volta ao estado de inconsciência: "Ah, fique aqui conosco, você está ferida, mas nós podemos fazer com que esqueça." Será que ela, agora que derrotou o demônio, irá descansar sobre os louros conquistados, por assim dizer? Irá ela se recolher, ferida e sem mãos, para os recessos da psique, onde possa receber atenções pelo resto da vida, deixando-se levar e fazendo o que lhe ordenam?

Comentários

  1. Não, ela não vai se esconder para sempre num quarto escuro como faria uma
    beldade deformada pelo ácido. Ela irá vestir-se, medicar-se em termos psíquicos da
    melhor maneira possível e descer mais um degrau de pedra que a levará a um reino
    ainda mais profundo da psique. A antiga parte dominante da psique oferece-lhe a
    possibilidade de mantê-la escondida e em segurança para sempre, mas sua natureza
    instintual recusa o oferecimento, pois sente que precisa lutar para viver em plena
    consciência, custe o que custar.
    Os ferimentos da donzela são envoltos em gaze branca. O branco é a cor da
    terra dos mortos e também, na alquimia, a cor do albedo, a ressurreição da alma do
    mundo subterrâneo. Essa cor é o arauto do ciclo de descida e retorno.

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