O primeiro estágio — O pacto sem o conhecimento
No primeiro estágio da história, o moleiro vulnerável e ambicioso faz um pacto
infeliz com o diabo. Ele pensava em enriquecer, mas depois percebe que o preço será
muitíssimo alto. Ele pensava estar dando sua macieira em troca da prosperidade, mas
descobre que, em vez disso, deu sua filha ao diabo.
Na psicologia arquetípica, consideramos todos os elementos de um conto de
fadas como descrições de aspectos da psique de uma única mulher. Portanto, ao
examinar essa história, como mulheres, precisamos nos perguntar logo no início qual
é o pacto infeliz que toda mulher faz.
Embora possamos ter respostas diferentes em dias diferentes, há uma resposta
que é constante na vida de todas as mulheres. Embora detestemos admitir o fato, na
esmagadora maioria das vezes o pacto mais infeliz das nossas vidas é o que fazemos
quando nos privamos da nossa vida de conhecimento profundo em troca de uma vida
que é muito mais frágil; quando renunciamos aos nossos dentes, nossas garras,
nossos sentidos, nosso faro; quando entregamos nossa natureza selvagem em troca
da promessa de algo que parece rico mas que se revela vazio. Como o pai na história,
entramos nesse pacto sem perceber a tristeza, a dor e o transtorno que ele trará para
nós.


Podemos ter boa vivência dos costumes do mundo, e, mesmo assim, quase
ResponderExcluirtoda filha de Eva, se tiver uma chance, opta a princípio pelo pacto infeliz. O
desenvolvimento desse terrível pacto envolve um paradoxo enorme e significativo.
Apesar de a escolha infeliz poder ser considerada uma reação auto-destrutiva em
termos psicológicos, é muito mais freqüente que ela se torne um divisor de águas, um
evento que proporciona ampla oportunidade para a restauração da força da natureza
instintiva. Nesse sentido, embora haja tristeza e perda, o pacto infeliz, como o
nascimento e a morte, constitui um passo utilitário fora do penhasco planejado pelo
Self com o objetivo de mergulhar a mulher profundamente na sua natureza selvagem.