Nenhum ente senciente neste mundo tem a permissão de permanecer inocente para sempre.
Para que possamos crescer, nossa própria natureza instintiva nos força
a encarar o fato de que as coisas não são como parecem a princípio ser. A função
criativa selvagem nos força a aprender acerca dos numerosos estados do ser, da
percepção e do conhecimento. Esses são os inúmeros dutos através dos quais a
Mulher Selvagem fala conosco. Portanto, essa perda e essa traição são os primeiros
passos vacilantes num longo processo iniciático que nos lança na selva subterránea.
Ali, às vezes pela primeira vez em nossa vida, temos a chance de parar de nos chocar
com os muros criados por nós mesmas e, em vez disso, aprender a atravessá-los.
Embora a perda da inocência das mulheres seja freqüentemente ignorada, na
floresta subterrânea a mulher que passou pela queda da própria inocência é
considerada especial, em parte por ter sido ferida, mas muito mais porque persistiu,
porque está se esforçando para entender, para descascar as camadas das suas
percepções e defesas a fim de ver o que está subjacente. Nesse mundo, sua perda de
inocência é tratada como um rito de passagem.4 Ela é aplaudida por poder agora ver
com mais clareza. São-lhe conferidos status e homenagens por ela ter sofrido e
continuado a aprender


Entrar num pacto infeliz é característico não só da psicologia da mulher jovem,
ResponderExcluirmas vale para a mulher de qualquer idade que não tenha sido iniciada ou que esteja
dependente quanto a essas questões numa iniciação incompleta. Como uma mulher
se envolve nesse tipo de pacto? A história começa com o símbolo do moinho e do
moleiro. Como os dois, a psique é um triturador de idéias. Ela mastiga os conceitos e
os desdobra em alimento. Ela recebe a matéria-prima, sob a forma de idéias,
sentimentos, pensamentos e percepções, e a decompõe de modo a torná-la útil para
nossa nutrição.