E o lugar em que esse aprendizado se realiza e essas qualidades são adquiridas é la selva subterránea, o mundo oculto do conhecimento feminino
É um mundo
selvagem que fica subjacente ao nosso. Enquanto estamos lá, ficamos impregnadas
do conhecimento e da linguagem instintivos. A partir desse ponto privilegiado,
compreendemos o que não conseguimos compreender com tanta facilidade a partir
da perspectiva do mundo objetivo.
A donzela no conto realiza algumas descidas. Quando ela completa um estágio
de descida e de transformação, ela mergulha ainda em mais um. Esses estágios
alquímicos se completam cada um com um nigredo, perda, rubedo, sacrifício e
albedo, chegada da luz, cada um acompanhando o outro. Também o rei e a mãe do rei
têm cada um seu próprio estágio. Todas essas descidas, perdas, descobertas e
fortalecimentos ilustram a iniciação perpétua da mulher na renovação do aspecto
selvagem.

A história da donzela sem mãos é, em diferentes partes do mundo, chamada de
ResponderExcluir"Mãos de prata", "A noiva sem mãos" e "O pomar". Estudiosos do folclore computam
mais de cem versões da história. Na sua essência, a seguinte versão é encontrada em
toda a Europa central e oriental. No entanto, que a verdade seja dita, a profunda
experiência feminina subjacente ao conto se encontra em qualquer lugar onde haja
um anseio pela Mãe Selvagem.
"A donzela sem mãos" é um conto de fadas admirável no qual descobrimos os
ResponderExcluirdedos de antigas religiões noturnas aparecendo no entretexto da história. O enredo se
desenrola de tal forma que os ouvintes participam das provas de resistência da
heroína pois a história é tão extensa que demora para ser contada e demora ainda
mais para ser absorvida. Costumo contá-la durante o período de sete noites e às
vezes, dependendo dos ouvintes, durante sete semanas ou sete meses — dedicando
cada noite, semana ou mês a cada provação da história — e existe um motivo para
isso.