E o lugar em que esse aprendizado se realiza e essas qualidades são adquiridas é la selva subterránea, o mundo oculto do conhecimento feminino

É um mundo selvagem que fica subjacente ao nosso. Enquanto estamos lá, ficamos impregnadas do conhecimento e da linguagem instintivos. A partir desse ponto privilegiado, compreendemos o que não conseguimos compreender com tanta facilidade a partir da perspectiva do mundo objetivo. A donzela no conto realiza algumas descidas. Quando ela completa um estágio de descida e de transformação, ela mergulha ainda em mais um. Esses estágios alquímicos se completam cada um com um nigredo, perda, rubedo, sacrifício e albedo, chegada da luz, cada um acompanhando o outro. Também o rei e a mãe do rei têm cada um seu próprio estágio. Todas essas descidas, perdas, descobertas e fortalecimentos ilustram a iniciação perpétua da mulher na renovação do aspecto selvagem.

Comentários

  1. A história da donzela sem mãos é, em diferentes partes do mundo, chamada de
    "Mãos de prata", "A noiva sem mãos" e "O pomar". Estudiosos do folclore computam
    mais de cem versões da história. Na sua essência, a seguinte versão é encontrada em
    toda a Europa central e oriental. No entanto, que a verdade seja dita, a profunda
    experiência feminina subjacente ao conto se encontra em qualquer lugar onde haja
    um anseio pela Mãe Selvagem.

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  2. "A donzela sem mãos" é um conto de fadas admirável no qual descobrimos os
    dedos de antigas religiões noturnas aparecendo no entretexto da história. O enredo se
    desenrola de tal forma que os ouvintes participam das provas de resistência da
    heroína pois a história é tão extensa que demora para ser contada e demora ainda
    mais para ser absorvida. Costumo contá-la durante o período de sete noites e às
    vezes, dependendo dos ouvintes, durante sete semanas ou sete meses — dedicando
    cada noite, semana ou mês a cada provação da história — e existe um motivo para
    isso.

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