Com a perda das mãos, a mulher abre caminho para entrar na selva subterránea, o campo de iniciação do mundo oculto.

O machado de gume de prata vem de uma outra camada arqueológica do antigo feminino selvagem, na qual a prata é a cor especial do mundo espiritual e da lua. O machado de gume de prata é assim chamado porque nos tempos antigos ele era feito de aço enegrecido na forja, e sua lâmina era afiada com a pedra de amolar até revelar um brilhante tom de prata. Na antiga religião minóica, o machado da deusa era usado para assinalar o caminho ritual do iniciando e para indicar os lugares considerados santos. Ouvi, também, de duas velhas contadoras de histórias croatas que, nas antigas religiões matriarcais, um pequeno machado ritual era utilizado para cortar o cordão umbilical do recém-nascido, liberando a criança do mundo subterrâneo para que ela pudesse viver neste mundo.
A prata do machado está relacionada às mãos de prata que, com o tempo, irão pertencer à donzela. Esse é um trecho complexo, pois ele apresenta a idéia de que a remoção das mãos psíquicas pode ser ritual. Nas antigas religiões matriarcais, havia o conceito da árvore jovem sendo podada com um machado para que fechasse mais sua copa. Na antiguidade, existia uma profunda devoção pelas árvores reais, pela sua capacidade de ressecar e de voltar à vida, bem como por todos os produtos vitalizantes que elas fornecem às pessoas, como por exemplo a lenha para aquecer e cozinhar, madeira para construir berços, cajados para caminhar, paredes para abrigo, remédios para a febre além de servirem de um lugar onde podemos subir para ver ao longe e, se necessário, para nos escondermos do inimigo. A árvore era realmente uma maravilhosa mãe selvagem.

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