A iniciação da mulher começa com o pacto infeliz que ela fez há muito tempo enquanto ainda estava entorpecida.

Ao escolher aquilo que a atraiu como sendo a riqueza, ela cedeu, em troca, seu domínio sobre algumas partes, e muitas vezes sobre todas as partes, da sua vida instintiva, criativa e cheia de paixão. Esse entorpecimento psíquico feminino é um estado próximo ao sonambulismo. Durante sua vigência, andamos, conversamos e no entanto estamos dormindo. Amamos, trabalhamos, mas nossas escolhas revelam a verdade acerca da nossa condição. Os aspectos voluptuosos, curiosos, incendiários e bons da nossa natureza não estão em pleno funcionamento.É esse o estado da filha no conto de fadas. Ela é linda de se ver, uma criatura inocente. No entanto, ela poderia continuar a varrer o quintal por trás do moinho para sempre —a de um lado para o outro — sem nunca desenvolver o conhecimento. Sua metamorfose não tem metabolismo

Comentários

  1. Portanto, a história começa com a traição grave, porém involuntária, do
    feminino jovem, da inocente. Pode se dizer que o pai, que simboliza a função da
    psique que deveria nos orientar no mundo objetivo, desconhece, na realidade, o
    modo pelo qual o mundo objetivo e o mundo interior funcionam em série. Quando a
    função do pai da psique deixa de ter conhecimento sobre questões da alma, somos
    traídas com facilidade. O pai não percebe um dos fatos mais básicos que
    intermedeiam entre o mundo da alma e o mundo da matéria — ou seja, que muitas
    coisas que se apresentam a nós não são como aparentam ser à primeira vista.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

"A donzela sem mãos" é uma história da vida real a respeito de nós, mulheres de verdade. Ela não trata de uma parte das nossas vidas, mas da nossa existência inteira.

O sétimo estágio — O noivo e a noiva selvagens

O que vemos são duas mulheres que, durante o prazo de sete anos, vêm a se conhecer mutuamente. O espírito de branco é semelhante à telepática Baba Yaga em "Vasalisa", que é uma representação da velha Mãe Selvagem. Como a Yaga diz a Vasalisa, muito embora nunca a tenha visto antes, "Sei, conheço o seu pessoal", esse espírito feminino que toma conta da estalagem no outro mundo já conhece a jovem rainha, pois ela também faz parte da sagrada Mulher Selvagem, que tudo sabe.