A donzela vulnerável é acompanhada por um mensageiro da alma, o espírito de branco. Esse espírito de branco remove os obstáculos que a impediam de alimentar-se.

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Ele esvazia o fosso ao mexer na comporta. O fosso tem um significado oculto. Segundo os gregos antigos, no mundo subterrâneo, o rio chamado Estige separa a terra dos vivos da terra dos mortos. Suas águas são cheias das recordações de todos os feitos dos mortos desde o início dos tempos. Os mortos conseguem decifrar essas recordações e mantê-las em ordem por terem uma visão mais aguçada decorrente de não possuírem corpo físico.Para os vivos, porém, o rio é considerado um veneno. A menos que a travessia do ser vivo seja acompanhada por um guia espiritual, ele irá se afogar, afundando para um outro nível do mundo subterrâneo, um lugar que é como uma névoa, e lá irá vaguear para sempre. Dante teve seu Virgílio, Coatlique teve uma cobra viva que a acompanhou até o mundo de fogo, e a donzela sem mãos tem o espírito de branco. Portanto a princípio, a mulher escapa da mãe ainda adormecida e do pai ganancioso e cheio de si, para em seguida deixar-se conduzir pela alma selvagem. Na história, o guia espiritual acompanha a donzela sem mãos até o outro lado do fosso, o reino das árvores do mundo subterrâneo, o pomar do rei. Esse, também, é um remanescente das antigas religiões. Nelas, guias espirituais são sempre designados para os jovens iniciandos. A mitologia grega é fértil em relatos de jovens sendo acompanhadas por mulheres-lobas, mulheres-leoas ou outras criaturas que serviam como suas iniciadoras. Mesmo em religiões naturais nos nossos tempos, como entre os navajos, os misteriosos yeibecheis são elementais animais que acompanham os ritos de iniciação assim como os de cura.

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