A donzela transforma-se em andarilha, e só isso já representa uma ressurreição para uma nova vida e uma morte na vida antiga. Perambular é uma excelente opção.

As mulheres nesse estágio muitas vezes começam a se sentir tanto desesperadas quanto inflexíveis para iniciar essa jornada interior, não importa como. E é o que ocorre quando deixam uma vida por outra, uma estágio da vida por outro ou, às vezes, até um amante por nenhum outro a não ser elas mesmas. O progresso da adolescência até a jovem idade adulta, da mulher casada para novamente solteira, da meia-idade para a velhice, a transposição do limite da velhice, partindo com feridas mas com um sistema de valores renovado — isso é a morte e a ressurreição. Abandonar um relacionamento ou o lar dos nossos pais, deixar para trás valores ultrapassados, assumir nossa própria identidade e, às vezes, penetrar na profundeza da selva simplesmente porque precisamos, tudo isso constitui a ventura da descida.
E lá partimos nós sob uma luz diferente, sob um céu diferente, com um chão desconhecido por baixo das nossas bota. E no entanto estamos vulneráveis, pois não temos como nos agarrar, nos segurar, nos apoiar, como saber — pois não temos nossas mãos. A mãe e o pai — os aspectos do coletivo e do ego da psique — não têm mais o poder que tinham antes. Foram punidos pelo sangue derramado em conseqüência do seu descaso irresponsável. Muito embora eles se ofereçam para manter a donzela em condições de conforto, eles estão impotentes para direcionar sua vida, pois o destino a leva a viver como andarilha. Nesse sentido, o pai e a mãe morrem. Seus novos pais são o vento e a estrada.

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