A donzela sem mãos
Se uma história é uma semente, então nós somos seu solo. O ato de ouvir uma
história nos permite vivenciá-la como se nós mesmas fôssemos a heroína que cede
diante das dificuldades ou que as supera no final. Se ouvimos uma história de um
lobo, depois disso saímos a perambular e a ter o conhecimento de um lobo por algum
tempo. Se ouvimos uma história de uma pomba que afinal encontra seus filhotes,
então, por algum tempo depois, algo fica se movendo por baixo do nosso próprio
peito emplumado. Se se trata de uma história de resgate da pérola sagrada das garras
do vigésimo dragão, sentimo-nos depois exaustas e satisfeitas. Num sentido muito
real, ficamos impregnada de conhecimento só por termos dado ouvidos ao conto.

A história nos atrai para um mundo que está muito abaixo das raízes das
ResponderExcluirárvores. Dessa perspectiva, podemos ver que "A donzela sem mãos" fornece material
para todo o processo da vida da mulher. Ela trata da maioria das principais jornadas
da psique da mulher. Ao contrário de outros contos examinados nesta obra que
tratam de uma tarefa específica ou de um aprendizado específico ocorrido num
período de dias ou de semanas, "A donzela sem mãos" cobre uma jornada de muitos
anos — o percurso de toda a vida de uma mulher. Essa história é, portanto, especial; e
um bom ritmo para sua assimilação consiste na sua leitura acompanhada de uma
generosa parcela de tempo dedicada a nos sentarmos com nossa musa para estudar
suas partes uma a uma.